Homilia Dominical - Sempre é tempo de repensar nossa visão de mundo e de Igreja
Na Igreja vivemos a mesma realidade e corremos os mesmos riscos. A diversidade de movimentos, grupos, espiritualidades, é uma riqueza para a Igreja, mas, quando uma parte acha que só o seu grupo está certo, caímos na tentação de transformar a Igreja em guetos esquecendo que, antes de assumirmos um jeito, uma espiritualidade, um grupo, somos a Igreja, a comunidade de irmãos que comungam da mesma fé e do mesmo pão. Antes de tudo somos Igreja. É o que o Apóstolo Paulo alerta na segunda leitura deste domingo: "Cada um de vós afirma: 'Eu sou de Paulo'; ou: 'Eu sou de Apolo'; ou: 'Eu sou de Cefas'; ou: 'Eu sou de Cristo!' Será que Cristo está dividido? (1Cor 1,13-13a). A Igreja enfraquece quando a riqueza da diversidade se transforma em divisão.
O Evangelho nos dá uma ferramenta para combatermos as trevas da divisão. Citando o profeta Isaías, o evangelista escreve: "O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz" (Mt 4,16; Is 9,1). Jesus é a luz que dissipa as trevas da divisão. É a partir de Jesus de Nazaré que podemos compreender melhor o que é ser Igreja. Nas palavras e ações de Jesus, no Evangelho deste domingo, podemos encontrar três pontos que nos ajudarão nessa compreensão.
1) O Reino de Deus está próximo - O Reino de Deus é a ação de Deus entre nós. Próximo não significa que ainda vai chegar, mas que já está aqui, entre nós. Deus está agindo perto de nós, entre nós. E a ação de Deus não é excludente e sim, inclusiva. O Reino de Deus aqui e agora é para todos e não para um pequeno grupo de privilegiados.
2) Convertei-vos - Para perceber a ação de Deus, o Reino de Deus acontecendo entre nós, é necessário mudar a maneira de pensar. Mudar a forma de olhar o mundo, mudar a mentalidade. Devemos sempre abrir a mente e o coração para uma nova visão de mundo e de Igreja. A palavra conversão que aparece no Evangelho em português é a tradução da palavra grega metanóia que quer dizer: mudar a cabeça.
3) Segui-me; Jesus os chamou - Jesus não agiu sozinho. Discípulos e discípulas caminhavam com ele. Estavam junto dele, colaborando, participando, assumindo a missão de ser comunidade unida. Todos de mãos dadas e ninguém solta a mão de ninguém.
Para finalizar, duas perguntas: 1.Estamos dispostos a mudar nossa visão de Igreja (conversão) para percebermos melhor a ação de Deus aqui e agora? 2. Estamos dispostos a colaborar, participar, assumir nossa missão como discípulos-missionários de Jesus?
Pe. Evando Alves de Andrade

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