Santos do povo: Maria Izida, jovem vítima da lepra há quase um século.
Na localidade de Zacarias Ocara existe um pequeno Campo Santo, um "Cemitério de Anjo" como muitos outros espalhados pelo sertão nordestino.
Ali, há 96 anos foi sepultada uma jovem de 22 anos, chamada Maria Izida, vítima da lepra. O povo conta que Maria Izida viveu seus últimos dias naquele local, isolada numa barraca de palha por causa da doença, na época incurável. Os leprosos eram isolados da família por medo do contágio.
Vendo aproximar-se a hora da morte, Maria Izida pediu à família que lhe fizesse uma mortalha. O pedido foi atendido e assim, vestida em sua mortalha e deitada em sua rede, morreu a jovem leprosa. Os parentes cavaram sua cova embaixo da rede, cortaram os punhos e Maria Izida descansou no leito da terra. Ali ficou sepultada.
O local passou a ser visitado pelo povo que vinha pedir graças à alma da finada Maria. Mais tarde, um devoto de nossa Senhora, tendo alcançado uma graça, trouxe a imagenzinha da Virgem Maria, venerada como Nossa Senhora do Desterro pelos antigos moradores da região. Assim, a devoção à alma da jovem Maria Izida se uniu à devoção à Nossa Senhora do Desterro.
No dia 14 do mês de agosto é celebrada uma missa no local. Muitos fiéis vão até lá andando a pé. Neste ano de 2025 será celebrada da novena de 06 a 14 de agosto. Teremos missa na abertura (dia 06) e no encerramento (dia 14). A paróquia de Aruaru convida os fieis que que já seguem a tradição de ir a pé até o local, a se unirem em romaria para, de forma mais organizada, com cantos e orações, seguirem até o Campo Santo onde será rezada a última novena e a missa no dia 14 de agosto. A saída será às 17h, da Igreja Matriz de Aruaru. Leve seu terço, sua água, seu chapéu e vamos caminhar com fé e devoção à Virgem do Desterro.




Muito interessante este relato. Parabéns ao Padre Evando, por valorizar essas tradições do povo, respeitando as histórias e mantendo viva a memória e o exemplo de pessoas, que do seu jeito, souberam amar a Deus.
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